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Vinho acerbo

Abri o meu melhor néctar, pus a mesa,
acendi as tuas velas vermelhas de promessas,
cofiei a barba, mas não com essência de baunilha,
e esperei por ti de coração em riste.

Não vieste. Depois, ao vasculhar as gavetas,
lembrei-me que fui eu que disse para te ires.
Este o pesadelo que me acorda e assola
e me fractura a espinha todas as noites.

Encorpado, falso tranquilo,
ora com açúcar, ora com adstringentes a mais
que desvirtuam a cor. E com lágrimas.

Torpe, sou um torpe,
o vinho é azedo
e este soneto acerbo.

JLC18062018