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Quatro marcas portuguesas de calçado estreiam-se em Milão

A presença na maior feira de calçado do mundo é uma aposta consolidada para muitas empresas portuguesas do sector, mas a 84.ª edição da MICAM, que decorre em Milão, Itália, marca a estreia de quatro novas marcas nacionais.

Há 30 anos a produzir sapatos para marcas internacionais, a empresa familiar de Famalicão Sinovir estreia-se na feira MICAM – que conta com mais de 1.600 expositores de meia centena de países e espera a visita de mais de 40 mil visitantes profissionais – a sua primeira coleção de marca própria que, acredita, lhe permitirá abrir a porta de novos mercados como os EUA, a Austrália ou a Escandinávia.

“A realidade de há 10 anos não tem nada a ver com a de hoje e nós temos que evoluir”, admite o administrador Francisco Rodrigues. Apesar de já sexagenário, é o mais novo dos quatro filhos do fundador da Sinovir, constituída há 60 anos para produzir peças técnicas para o sector têxtil, mas que há três décadas decidiu apostar também na área do calçado.

Desde sempre com vocação totalmente exportadora, a Sinovir produz na fábrica em Vila Nova de Famalicão 900 pares de sapatos por dia, dando emprego a mais de uma centena de trabalhadores e antecipando para este ano uma faturação superior a cinco milhões de euros.

Até agora focada na produção em regime de ‘private label’ (para marcas internacionais), a empresa portuguesa canaliza praticamente toda a produção para a Europa Central, mas espera que a recente aposta numa coleção de marca própria (sobretudo de calçado feminino, mas também para homem e criança) lhe permita lançar-se em novas geografias.

“Queremos encontrar alternativas aos mercados ocidentais, países em que as estações [do ano] não coincidam com as nossas, como os EUA, a Austrália ou até a Escandinávia, para tentar colmatar os tempos vagos que agora temos na produção”, afirmou Francisco Rodrigues.

O lançamento da marca própria, que assumiu o mesmo nome da empresa, foi acompanhado da aposta numa nova imagem, que a Sinovir espera que contribua para “impor” um lugar no mercado e “valorizar” a sua coleção no estrangeiro.

Outra das quatro estreias na 84.ª edição da MICAM é da marca de chinelos ‘As Portuguesas’, resultado de uma parceria 50/50 entre os grupos corticeiro Amorim, de Santa Maria da Feira, e de calçado Kyaia , de Guimarães, e cujo projeto – da autoria do arquiteto Pedro Abrantes – foi desenvolvido na Amorim Cork Ventures, a incubadora do grupo português líder mundial de cortiça.

De acordo com o administrador da Kyaia Amílcar Monteiro, a recente associação da empresa ao projeto – uns chinelos de dedo em cortiça lançados no mercado em 2016 – permitirá dar um outro “dinamismo comercial ao produto”, abrindo-lhe portas de toda a rede de distribuição onde já trabalha o grupo de Guimarães, nomeadamente nos EUA e no Reino Unido.

“A marca estará no próximo verão em vários mercados onde já estamos na Europa, EUA, Austrália, Nova Zelândia e Japão”, assegurou.

Para já com uma coleção “pequena, fácil e unissexo”, com 14 modelos, ‘As Portuguesas” distinguem-se, segundo o gestor, por serem “um produto único, numa matéria-prima muito nobre e portuguesa que tem uma série de características que só a cortiça consegue conferir: leveza, absorção do choque e qualidades térmicas e antiderrapantes”.

“Esta é só a primeira coleção, mas é um produto com enormes potencialidades”, considerou.

Relativamente à grande marca bandeira da Kyaia, a internacional Fly London, Amílcar Monteiro afirma que 2017 vai ser um novo ano de crescimento, mas assume que há “alguns mercados com maiores dificuldades”, em grande parte devido à “fase de ajustamento” vivida com o ‘boom’ do negócio ‘online’, que causou “uma grande perturbação” nos clientes tradicionais de retalho da marca.

Entre os dois grandes mercados da Fly London – o Reino Unido e os EUA – é no primeiro que se vivem as maiores dificuldades, sobretudo por efeito do ‘Brexit’, a saída do país da União Europeia, e da “grande incerteza” que ainda rodeia todo o processo, sendo já certo que a marca vai ali encerrar o ano com vendas inferiores a 2016.

Pela positiva, o administrador da Kyaia aponta o projeto de autonomização da área de negócio de marroquinaria (carteiras) da Fly London, que a empresa concluiu precisar de uma equipa própria, que “trabalhe aquela área de forma profissional” e a faça crescer a outro ritmo.

Para além da Sinovir e de ‘As Portuguesas’ estreiam-se na MICAM as marcas Pregis, da empresa Martiape, e a ‘Life is what you choose’ da empresa ‘Why We Trading”, ambas de Felgueiras.

Segundo dados do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, avançados pela Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), a indústria portuguesa de calçado criou na última década 342 novas marcas de calçado, 27 das quais este ano.

A MICAM decorre desde o passado domingo até quarta-feira.