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Quase totalidade da produção de frutos silvestres da região Centro é exportada

O presidente da Capital dos Frutos Silvestres disse à Lusa que 90% da produção de mirtilos e framboesas da região Centro, em 2017, destinou-se à exportação e lamentou a “falta de visão” em preparar o futuro.

“Até ao final de 2017, no total do que produzimos, 90% foi para exportação”, disse Nuno Pereira em declarações à Lusa, acrescentando que cerca de 20% teve como destino a Inglaterra, 10% a Suíça, 50% Espanha, enquanto 10% ficaram no mercado português.

“Vendemos, sensivelmente, 50 toneladas de mirtilo e sete toneladas de framboesa”, detalhou o responsável, referindo que, no total, as exportações representaram cerca de 215 mil euros para a cooperativa.

Apesar dos números registados, Nuno Pereira lamenta que haja “falta de visão” para preparar os próximos anos.

“Acho que há uma falta de visão [no que concerne a] preparar os próximos anos a nível das produções, quer de frutas, quer dos outros tipos, como o olival ou a pecuária. […] Penso que mesmo com a apresentação destes novos planos de regadios, há uma falta de investimento nesta região, para que possamos ter água para a agricultura e para os próprios animais”, notou.

Para Nuno Pereira, o preço pago ao produtor e a falta de valorização dos biológicos justificam a fatia da produção de frutos vermelhos que fica em Portugal.

“O preço que é pago em Portugal é muito inferior àquele que é pago no estrangeiro. Em segundo lugar, o produto biológico não é valorizado, enquanto quando vendemos um produto biológico para o estrangeiro o preço sobe entre 15% a 20%, em comparação com o do produto convencional”, explicou.

Segundo o presidente da Capital dos Frutos Silvestres, a solução passa por criar convenções com os supermercados portugueses, para que seja prioridade a venda de produtos nacionais.

O responsável defende ainda que os frutos vermelhos nacionais possuem características que os diferenciam da produção internacional, nomeadamente, a nível de qualidade e de sabor.

“Por exemplo, no Chile e no Peru o fruto é apanhado praticamente verde, ou seja, não adquire todas as potencialidades. Nós conseguimos apanhá-lo mais tarde, já na sua maturação, o que faz com que ele tenha muito mais qualidade”, indicou.

Como objetivos, Nuno Pereira destaca a entrada no mercado dos países de leste, que define como uma “zona de elite” para os frutos nacionais, uma vez que estes países, ao terem um clima mais frio, não conseguem produzir ao mesmo tempo que Portugal.

Para 2018, o empresário prevê ainda que se registe um crescimento de 10% no que se refere ao valor das exportações, devido às intempéries que têm afetado os produtores internacionais.

“Acho que vai ser um bom ano, mal de nós se não acreditássemos nisso. Infelizmente, com a desgraça de alguns, o setor vai crescer. Com as tempestades na zona sul de Huelva e Andaluzia [Espanha] houve muitas plantações danificadas que, normalmente, enchem muito o nosso mercado interno, [por isso] vai haver falta de fruta e Portugal vai crescer acima de 10%”, sublinhou.

O empresário considera que produção de frutos vermelhos pode vir a ser uma das mais rentáveis, caso sejam criadas “cadeias de ligação entre o produtor e a venda final”.

“Não há só gente a ganhar dinheiro, há quem esteja a perder e temos de refletir bem sobre esta balança, para criar cadeias de ligação entre o produtor e a venda final. Estes tipos de plantações são rentáveis, se trabalharmos todos bem, vamos ter lucro e penso que o futuro será muito bom. Promovemos o produto, a nossa qualidade, o nosso país, mas na comercialização temos falhado”, concluiu.

Constituída em 2017, a cooperativa Capital dos Frutos Silvestres representa 50 produtores de 22 concelhos da região Centro.