De que está à procura ?

luxemburgo
Lisboa
Porto
Luxemburgo, Luxemburgo
Luxemburgo

Procuradoria do Luxemburgo confirma mais diligências no inquérito à morte de Puto G

A Procuradoria do Luxemburgo comunicou esta quarta-feira que “a polícia deve ainda proceder a interrogações” no âmbito da investigação ao afogamento do ‘rapper’ Puto G, de nacionalidade portuguesa e cabo-verdiana, ocorrido a 30 de junho, no lago Remerschen.

O porta-voz da Procuradoria do Luxemburgo informou à agência Lusa, na semana passada, que “o processo não existe” e que se concluiu que a morte do músico foi “um acidente”, mas na informação de hoje é referido que só novas audições, a realizar pela polícia, permitirão “decidir o destino que se dará ao dossiê”.

Em comunicação escrito, o porta-voz, Henri Eippers, manteve que a Procuradoria do Luxemburgo continua a “não ter elementos quanto à implicação de terceiros” na morte do ‘rapper’, muito embora a família de Puto G tenha levantado questões sobre a falta de segurança e vigilância no lago Remerschen.

O jornal Contacto inseriu uma reportagem, na semana passada, com testemunhos de amigos de Puto G, que se encontravam no lago no fatídico dia, relatando factos como a tardia resposta ao alerta depois de constatado o desaparecimento.

A família de Puto G, nome artístico de José Carlos Cardoso, admitiu já a possibilidade de instaurar processo judicial no Luxemburgo, país que não tem legislação para garantir a segurança no lago onde morreu o ‘rapper’.

O Partido Operário Socialista do Luxemburgo (POSL) questionou o Governo sobre a demora no socorro e a falta de vigilância no lago de Remerschen, onde morreu afogado o ‘rapper’ Puto G.

Em ofício enviado através da Câmara dos Deputados do Luxemburgo, a que a Lusa teve acesso, os deputados Franz Fayot e Alex Bodry pediram respostas aos ministros do Interior e do Trabalho, do Emprego e da Economia Social e Solidária e à ministra do Ambiente para o facto de o socorro ter sido acionado apenas “uma hora depois do alerta”.

Os deputados do POSL reportaram-se à investigação inserida em 16 deste mês no Contacto, jornal luxemburguês destinado à comunidade lusófona, e questionaram porque “se demorou quase uma hora para corresponder ao alerta” e as razões de “não se reagir de início aos pedidos de ajuda dos companheiros da vítima”, que se encontravam também no lago Remerschen, propriedade da Comuna de Schengen.

Franz Fayot e Alex Bodry pretendem também resposta do Governo luxemburguês para o facto de “qualquer membro do pessoal empregado pela Comuna de Schengen para a vigilância do lago de Remerschen não dispor de qualquer qualificação de nadador-salvador”.

“Foram estabelecidos procedimentos para determinar quem é o responsável, em que casos, em que circunstâncias e em que momento para pedir ajuda em caso de incidente”, interrogaram os deputados, depois de a família de Puto G ter levantado questões sobre a falta de segurança e vigilância no lago Remerschen.

Outra questão a merecer resposta no entendimento dos dois deputados do Partido Operário Socialista do Luxemburgo, tem a ver com a possibilidade de “algas infestarem a tal ponto o lago de Remerschen que é perigoso alguém banhar-se em determinadas partes”.

Puto G tinha 27 anos quando morreu afogado, no lago Remerschen, onde se encontrava na companhia de amigos, que deram o alerta após o desaparecimento do jovem, que entrou sozinho na água.

O corpo foi encontrado às 19:00 locais (uma hora menos em Lisboa), três horas depois de se ter constatado o desaparecimento.

O corpo foi trasladado para Lisboa e, em 05 de julho, realizou-se o funeral, na Amadora, local onde cresce e viveu o jovem emigrante em Athus, na Bélgica.

Puto G integrou o elenco do filme “A esperança está onde menos se espera”, de Joaquim Leitão, no qual protagonizou a personagem “Mané”. O filme, de 2009, foi rodado na Cova da Moura, arredores de Lisboa.

Na base de dados do cinema IMDB, Puto G voltou a trabalhar com Joaquim Leitão em “Quarta Divisão”, de 2013, e “Sei lá”, de 2014.

O ‘rapper’ integrou o elenco de “Por aqui tudo bem”, de Pocas Pascoal, e de algumas curtas-metragens.

Um mês depois de Puto G ter morrido, um cidadão búlgaro, de 53 anos, morreu afogado no mesmo lago, propriedade da autarquia de Schengen, que tem cartazes a alertar que o local não é vigiado e que os visitantes nadam “por sua conta e risco”.