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Lembra-se dele? Este emigrante foi a outra estrela do Euro2016

Augusto Martins, português a residir há 18 anos em França, tornou-se um dos símbolos do Europeu de futebol. Ao BOM DIA falou da experiência que teve no campeonato, do amor pelo futebol, da cobertura da imprensa francesa face à vitória de Portugal e dos “15 minutos de fama” que obteve.

Naquela tarde de domingo do dia 10 de julho de 2016 , o país parava . Pela primeira vez na história do futebol português, o país conquistava o seu primeiro grande título internacional, ao vencer a França, em pleno Stade de France, por 1-0. O golo decisivo de Éder ditou uma amarga derrota para os franceses.

Nesta mesma noite, Augusto Martins, empresário e emigrante luso de 40 anos, vibrava com a mesma vitória. Ele foi uma das figuras mais míticas durante o Euro 2016: acompanhou todos os jogos da seleção, concedeu entrevistas para vários órgãos de comunicação social de vários países. Não passou despercebido e, mesmo 16 meses depois da vitória face à seleção francesa, ainda se fala nele.

Verdadeiro amante do futebol, em entrevista ao BOM DIA, este “monsieur”, que é um dos muitos portugueses a viver em França, revela também a relação com o país que o acolheu na sua juventude, bem como a forma como os meios de comunicação social francês regiram face a maior vitória da história do futebol português: o Europeu de 2016.  

Já há quase duas décadas que reside em França. Considera que o país, aquando do Euro2016 acolheu bem os seus turistas?

Eu penso que sim. A França tem no seu historial de mostrar sempre a sua grandeza em grandes eventose, neste europeu, não foi exceção. É uma nação que, acima de tudo, ama o futebole, por isso, esta mesma paixão foi notória na receção concedida aos seus turistas.

Que significado teve o Europeu para si?

Este Europeu, na minha opinião, foi sinónimo de loucura – no seu verdadeiro sentido – e, isso, apenas o futebol me podia oferecer. Posso afirmar uma coisa: já que não fui uma estrela como jogador de futebol, fui como adepto (e, isso, envaidece-me de orgulho). Vou confessar-lhe que a seguir ao nascimento da minha filha, o mês do Europeu foi o mais importante da minha vida. Afinal, não é todos os dias que se convive com milhares de pessoas de distintas nacionalidades. Foram, de facto, momentos inesquecíveis que jamais serão apagados da minha memória.

Foi uma estrela do último mundial. Concedeu entrevistas para quantos meios de comunicação social?

As estrelas estão no céu. Eu fui apenas uma das muitas pessoas que quiseram viver de perto este campeonato. Não lhe posso confirmar quantas entrevistas dei, mas posso dizer- lhe que foram muitas e para as mais variadas cadeias de televisões espalhadas ao redor do mundo. Para que possa ter uma ideia, tínhamos uma TV do Japão 24h/24h connosco nos jogos da seleção. Foi espetacular. Posso afirmar, com toda a honestidade, que esta experiência proporcionou-me alguns minutos de fama, contudo, não era essa a minha intenção (nem era isso o que eu procurava)apenas queria apoiar a minha pátria que tanto amo.

Ainda no que diz respeito aos meios de comunicação para os quais concedi entrevistas, dei para países como Rússia, Brasil, Japão, Colômbia, Venezuela, Espanha, China e, entre outros. Claro, para não falar da TVI e RTP, que são meios de comunicação social portugueses.

Como descreve a forma com que os meios de comunicação social estrangeiros abordaram a vitória do nosso país?

A imprensa, principalmente a francesa, foi muito cruel com a seleção portuguesa. Poderiam ter tido mais um pouco de respeito pelos milhares de portugueses que cá residemtemos que aceitar que a equipa que ganha é, claramente, a melhor. Pensavam eles que na final com Portugal tudo seria fácil e a vitória já estava garantida, mas esqueceram-se de que no futebol tudo pode acontecer. No fim, quando o jogo acabou, chorei; nem queria acreditar que tínhamos ganho.

Neste caso, esta mesma imprensa teve de se conformar com a nossa vitória. Num estádio onde estavam cerca de 70.000 pessoas, esta conquista teve ainda mais um sabor especial. Podem vir muitos Europeus, mas este vai ficar na memória dos franceses para todo o sempre.

E estava a espera de que Portugal ganhasse?

Para ser sincero, tinha sempre uma esperança de ganhar este campeonato, pois Portugal tem os melhores jogadores do mundo – mas nem sempre os melhores ganham, como se costuma dizer. Em suma, eu estava sempre confiante na nossa vitória; o importante era ganhar e passar cada fase com sucesso…

 O que sentiu aquando do término do jogo?

Fiquei sem voz durante três dias. Fui obrigado a meter baixa no trabalho durante um mês; tudo isto por amor ao meu país. Contudo, não me arrependo de nadano final, aquele golo do Éder fez- me recordar quão bonito e surpreendente é o futebol. Aliás, posso confessar-lhe que a seguir a este mesmo golo, não vi mais o jogo; sentei-me nas escadas a chorar à espera de que acabasse. Quando o árbitro o deu como terminado, desatei a chorar de alegria. Por oposição a este meu sentimento de felicidade, ao meu lado estava um segurança que também chorava, mas de tristezainfelizmente, para ele (e felizmente para nós), o seu país perdia o campeonato em sua própria casa.

Do seu ponto de vista, quais são os fatores que levaram a que Portugal saísse vitorioso?

Na minha perspetiva, há dois fatores cruciais: a união da equipa e a força dos portugueses fora (e dentro) dos estádios. Para ter a ideia da nossa força, conseguimos organizar, em menos de 24  horas, milhares de bandeiras de Portugal no Trocadero (monumento francês localizado perto da Torre Eiffel)até  mesmo  turistas oriundos de outros países fizeram questão de comprar a bandeira e juntaram-se até  nós. Afinal, não são todos os dias que vemos tantas bandeiras hasteadas a acompanhar o som do hino nacional. Essa imagem jamais esquecerei. Foi lindo!

Em que medida pensa que esta vitória poderá mudar a perceção de que os franceses têm sobre Portugal?

Infelizmente nada mudou. De facto, eles perderam em casa contra um país que eles jamais imaginaram perder, mas ao fim ao cabo, nada mudou. Aquilo que realmente interessa é que nós vencemose, tal acontecimento, ninguém nos pode tirar.

Entrevista de Marina de Sá