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Opinião

João Quadros e o “Je suis Charlie”

Muitos morreram a lutar para que ninguém morresse ou fosse espancado porque deu uma opinião ou fez uma piada, por mais parva que essa opinião ou piada fosse! A isso chama-se lutar pela liberdade, algo que temos hoje como garantido mas que na verdade será sempre algo que se conquista a cada dia que passa porque muitos nos querem privar dela.

Depois há também o sistema judicial, e que permite a quem se sentir ofendido, accionar os mecanismos legais para o exercício da justiça!

Mas como todos temos o direito à opinião, e não só os humoristas, acho as piadas dele em relação a uma pessoa que está a lutar pela vida de extremo mau gosto, de raiva disfarçada de humor, que ofende, apenas pelo sentimento de vingançazina sórdida. E deu-me para lhe chamar “merda de um nazi”. Saiu-me esse adjectivo e “prontos”, mais valeria ter dito “cabrão de merda”. Apesar de tudo, não vejo nada de mal em chamar nazi a um fulano loiro e mal amanhado, que apelida de “cabeça rapada” uma portuguesa de cor mais escura e que padece de uma doença oncológica.

Eu não sei porque é que muitos e o próprio se compara ao “Je suis Charlie”! Ou seja, já é mártir antes de o ser! É claro que ao afirmar certas coisas e fazer algumas piadas, João Quadros, e porque não é estúpido, sabia que teria muitas reacções negativas, não foi uma surpresa para ele nem para quem quer que seja.

E assim, comparar-se aos assassinados na redacção do Charlie Hebdo, é misturar conceitos e utilizar a informação distorcendo-a a seu belo prazer! E pela liberdade de expressão, “Je Suis João Quadros” se o mesmo for agredido pelo que partilhou!

Já agora, e por mera curiosidade, muitos dos que faleceram na redação do Charlie Hebdo, nos tempos livres, defendiam a liberdade, a igualdade e fraternidade. Eram homem livres e de bons costumes.

Portanto…batatas! Não estamos a falar de esquerda ou de direita, estamos a falar de decoro, de decência e de respeito, e teria a mesma opinião se alguém fizesse piadas com a falecida mulher de António Guterres, ou com quem sofre.