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Investigador português ajuda a descobrir que há pessoas imbecis

“Vou ser muito franco. A minha primeira reação foi ‘isto é um absurdo'”, disse um dos cientistas envolvidos no estudo, William Ravelle, um conhecido cético no que toca à existência de tipos de personalidade. O psicólogo e investigador da Universidade de Northwestern foi o primeiro a criticar o estudo, revela o Diário de Notícias.

Eventualmente, no entanto, o investigador acabaria por dar razão aos cientistas da universidade que estudavam tipos de personalidade a partir dos dados de 1, 5 milhões de pessoas. Existem quatro tipos de personalidade: reservado, extrovertido, mediano e autocentrado. E para onde quer que os investigadores olhassem eram estes os resultados que obtinham.

Que os seres humanos se tentam categorizar desde tempos antigos é algo que os cientistas envolvidos no estudo da Universidade norte-americana de Northwestern são os primeiros a dizer. “Estas ideias remontam a gregos como Hipócrates”, diz Martin Gerlach. Investigador pós-doutorado, estuda sistemas complexos e participou no estudo cujos resultados foram originariamente publicados no Human Nature Behavior.

A existência de tipos de personalidade é tudo menos consensual entre psicólogos. Pelo contrário, existe acordo sobre a existência de traços de personalidade “que podem ser medidos de forma consistente entre idade e culturas”, disse o português Luís Nunes Amaral, co-diretor do Instituto Nortwestern de Sistemas Complexos, um dos cientistas envolvidos neste estudo.

Os cinco traços comummente aceites são abertura para a experiência, conscienciosidade, extroversão, neuroticismo (ou instabilidade emocional) e agradabilidade.

No modelo criado pelos cientistas norte-americanos, a cada um dos cinco traços é dado um valor. A combinação dos valores permitiu isolar quatro grandes grupos de dados, e assim definir quatro tipos de personalidade.

“As pessoas acham que não existem descobertas importantes nas ciências sociais, mas não é verdade”, considera Luís Amaral. Já o tipo autocentrado corresponde a pessoas com muitos pontos em extroversão, mas marcas mais baixas em agradabilidade, consciência e abertura. Luís Amaral descreve-as ao The Washington Post em termos “não técnicos” de forma simples: são “imbecis”. Os que mais entram neste grupo são os rapazes adolescentes. A proporção vai diminuindo à medida que crescem.