De que está à procura ?

luxemburgo
Lisboa
Porto
Luxemburgo, Luxemburgo
Luxemburgo

Eleição de lusodescendentes no Luxemburgo tem uma importância “simbólica”

O politólogo Philippe Poirier, da Universidade do Luxemburgo, considera que a eleição de lusodescendentes ou de candidatos de origem cabo-verdiana “tem uma importância simbólica” para estas comunidades no Grão-Ducado, podendo encorajar uma maior participação política.

O professor de Ciências Políticas destaca o caso de Natalie Silva, filha de imigrantes cabo-verdianos, que conquistou a autarquia de Larochette nas eleições municipais de domingo, e também a vitória de José Vaz do Rio, um imigrante português, na pequena localidade de Bettendorf.

“A participação política também passa pelo simbólico. Quando há mais eleitos [de origem estrangeira] nos conselhos municipais, esta simbologia pode levar ao desencadear do interesse dos lusófonos em participar”, disse à Lusa Philippe Poirier.

Natalie Silva e José Vaz do Rio são os casos mais visíveis, por terem ganhado as eleições nas localidades onde eram candidatos, mas houve mais duas dezenas de conselheiros municipais lusófonos eleitos no resto do país, embora em posições menos destacadas.

Foi o caso de Bruno Cavaleiro, com duplo passaporte português e luxemburguês, em Esch-sur-Alzette, a segunda maior cidade do país, onde foi o quinto eleito pelo partido cristão-social (CSV), que venceu as eleições naquele bastião tradicionalmente socialista.

Outro exemplo foi a eleição de Jairo Delgado, jogador de basquetebol da seleção luxemburguesa, eleito pelo partido socialista (LSAP) em Ettelbruck, onde vive uma importante comunidade cabo-verdiana.

A percentagem de candidatos estrangeiros continua no entanto a ser baixa, rondando os 7%, e os que conseguem ser eleitos ainda são uma minoria, um reflexo também do reduzido número de estrangeiros recenseados, considerou o politólogo.

Nestas eleições, só estavam inscritos para votar 34 mil estrangeiros (22% dos que residiam há cinco anos no país e poderiam exercer o direito de voto), incluindo 13 mil portugueses.

Para o professor de Ciências Políticas, “muitos estrangeiros no Luxemburgo, portugueses, franceses e outros, não têm vontade de socialização política”. “Vêm para trabalhar, e a participação política parece-lhes muito distante, não faz parte do seu horizonte”, apontou, destacando também as dificuldades linguísticas.

“Como os estrangeiros são poucos, não são tidos em conta nos programas eleitorais, do ponto de vista linguístico – tirando umas cartas escritas à última hora em inglês, francês e português”, criticou.

O politólogo considera que a “única solução” para aumentar de forma efetiva o número de eleitores estrangeiros passa “pelo recenseamento automático”, “tal como acontece com os luxemburgueses”.

O professor sublinhou que essa solução “não é de todo contrária ao direito da União Europeia”, defendendo que se trata de um problema de vontade política.

“Há resistências em todos os partidos, à esquerda e à direita, quanto à participação dos estrangeiros, porque significa a partilha do poder”, afirmou.

Para Philippe Poirier, deixar os não-nacionais de fora do processo de decisão “é um risco” para a coesão social, num país com 47,7% de estrangeiros.

“Corremos o risco de ter duas sociedades paralelas: uma que exerce os direitos políticos e outra que não participa e só exerce os direitos económicos”, afirmou.

O partido cristão-social (CSV) foi o vencedor das eleições municipais no domingo, obtendo 34,83% dos votos, à frente do Partido Socialista (LSAP), com 25,83%, dos liberais (DP), com 18%, e dos Verdes (Déi Gréng), com 12%, segundo os resultados oficiais publicados na segunda-feira.

Para o politólogo, a subida do CSV nestas eleições municipais “confirma a tendência das sondagens desde 2014”, que apontam para uma descida das intenções de voto nos partidos que compõem a coligação do Governo.

Em 2013, o partido de Jean-Claude Juncker, atual presidente da Comissão Europeia, foi afastado do poder pela primeira vez em 35 anos, por uma coligação formada pelo DP, liderado pelo primeiro-ministro Xavier Bettel, LSAP e Verdes.

As próximas eleições legislativas no Luxemburgo realizam-se em outubro de 2018.