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Design “made in Portugal” sinónimo de procura e negócio em Paris

O rótulo “Made in Portugal” é sinónimo de procura e de negócio no salão Maison & Objet, que arrancou esta sexta-feira e que decorre até 12 de setembro, em Paris.

Na feira de decoração de interiores e design, no parque de exposições de Paris-Nord Villepinte, há mais de 70 marcas lusas, como a Carapau Portuguese Products que apresenta uma linha de bonecos coloridos e com recortes originais, fabricados com burel da Serra da Estrela e linho estampado com serigrafia manual e tintas ecológicas.

“Não só aqui, como na feira de Nova Iorque, andam à procura dos produtos portugueses por terem qualidade e também a questão da matéria-prima. Nota-se uma crescente procura de produtos portugueses”, descreveu Rita Faria, a designer que inventa as formas dos galos, rinocerontes, baleias, carapaus, aviões ou anjos.

A Carapau Portuguese Products, criada há três anos, também expõe sacos de lona, almofadas e porta-chaves, participando pela terceira vez nesta feira para aumentar a rede de clientes no estrangeiro.

“Na primeira vez que viemos aqui, os estrangeiros reparavam muito nos tecidos portugueses e vinham cá precisamente à procura dos tecidos e não pelo design. Acho que o design português agora reinventou-se. O produto português tem-se notado que tem mais qualidade e o ‘made in Portugal’ tem mais relevo”, acrescentou Tiago Couto, também designer na Carapau Portuguese Products.

Contar “estórias” portuguesas através da cerâmica das Caldas da Rainha é a aposta da marca “Laboratório d’Estórias” que concebe peças de design contemporâneo associadas à iconografia nacional, tendo criado Corvos de Lisboa a Galos de Barcelos, passando por grilos, melros e alfacinhas.

Os principais “contadores de estórias” são Rute Rosa e Sérgio Vieira, os designers que criaram a marca em 2013 a pensar no mercado nacional e que hoje apostam cada vez mais na internacionalização.

No ano passado, as exportações representaram 30 por cento da faturação.

“Quando começámos a trabalhar com o mercado nacional, trabalhámos com lojas de referência em Portugal, como a Hangar, A Vida Portuguesa e outras. Como Portugal está na moda ao nível do turismo, há um conjunto [de logistas] que acabam por visitar. Como nós sabemos, o comércio é quase um roteiro para os turistas”, explicou à Lusa Sérgio Vieira, um dos designers da marca.

Pela primeira vez a apresentar-se ao público está a marca Mr. North, uma empresa de design de mobiliário sediada no Porto que apresenta sofás, mesas, secretárias e cadeiras, numa coleção com um toque escandinavo, formas simples e contemporâneas, materiais nobres e tecidos luxuosos.

A “Mr. North” nasceu em janeiro a pensar no mercado internacional e não quis perder a oportunidade de se estrear na Maison & Objet, disse à Lusa Rafaela Cortez Marques, responsável da marca, sublinhando que há empresas nórdicas e italianas a vender mobiliário fabricado em Portugal.

“Os produtores portugueses estão a descobrir que somos tão bons ou melhores que outras marcas internacionais. Temos uma qualidade excelente. Na região norte temos uma longa história na produção de mobiliário. Porque não aliar o design ao nosso know-how e construir produtos tão bons ou melhores que marcas italianas, que marcas nórdicas?”, questionou a responsável.

Também a estrear-se na Maison & Objet está a centenária fábrica portuguesa de lápis Viarco, em cujo stand se destaca um protótipo de uma mesa de trabalho para artistas que “oferece a possibilidade de ter um suporte para fazer 25 metros de desenho em contínuo”, descreveu o administrador José Vieira.

Dando à manivela na “máquina de desenho” – segundo a expressão preferida pelo diretor criativo Patrício Macedo – o papel desfila e os visitantes testam produtos da marca, desde o bastão de grafite XL, à pasta de grafite, blocos de pigmento inspirados nos lápis de alfaiate e um lápis-pião.

Na única fábrica de lápis de Portugal, a origem do fabrico é fator de prestígio e a estratégia de internacionalização passa por exportar os próprios produtos históricos, os produtos concebidos pela sub-marca Art Graph e os produtos personalizados por encomenda.

“Nós produzimos material personalizado para alguns dos mais importantes museus do mundo e as pessoas que os comercializam dizem que isto é produzido em Portugal na Viarco. Significa que aquela carga de levar Portugal às costas (…) deixou de ser um problema e passou efetivamente a fazer parte da nossa estratégia fundamental e da criação da nossa própria identidade”, afirmou José Vieira.

Bisneto do fundador da conhecida empresa dos lápis da tabuada de São João da Madeira, José Vieira comprou a marca quando esta atravessava por uma crise e criou uma gama virada para as Belas Artes, a Art Graf, a qual já apostava no potencial “made in Portugal”.

“O primeiro produto que nós fizemos desta linha Art Graf foi a aguarela de grafite. Ou seja, desde o primeiro momento que foi decidido meter Portugal na parte da frente do rótulo. Há dez anos não estávamos assim tanto na moda como isso (?) Nós vamos para o mercado para acrescentar valor”, afirmou o administrador da Viarco, que tem como mote de trabalho a palavra “arriscar”.