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Beijinhos aos avós

Não apoio este tipo de mensagem pouco sustentável e radical, que cria graves problemas de consciência nos jovens de hoje e que atendo frequentemente no meu consultório por falta de orientação.

Tudo tem de ser contextualizado na relação com o público leigo para não criar estas situações.

Vejo jovens cujos pais dão uma liberdade e aceitação incondicional de tudo, com medo de dar referências para orientar a auto-descoberta e segurança pessoal, como se estas fossem preconceitos. Sem referências, como pontos orientadores essenciais para seguir igual ou fazer diferente, só facilitamos baixa auto-estima, interpretações lineares e radicalismos fáceis, insegurança e incapacidade de socialização ou de empatia.

Referências não são preconceitos. São âncoras de orientação que uso da educação que recebi dos contextos que cresci, para acreditar, por em causa, apoiar, repetir, fazer diferente ou o oposto. E isso ajuda de forma crucial a descobrir quem somos.

A perda de referências, de valores morais e sociais, compromete seriamente a transmissão de valores e aprendizagem de empatia e respeito mútuo para criarmos adultos mais estruturados e seguros do que querem.

Os movimentos sociais radicais da extrema direita ou de esquerda (com visões simplistas de “preto ou branco”) que começam lamentavelmente a imperar e a chegar ao poder em várias partes do mundo mostra isso mesmo: a necessidade que a população começa a ter para colocar ordem e limites numa aceitação incondicional de tudo, para todos, em que qualquer coisa em que o outro não concorde connosco já estamos perante uma invasão de espaço ou violência.

Já não se discutem valores, crenças ou filosofias de vida, mas antes se estamos a favor ou contra alguma coisa ou alguém.

Sem bom senso, perdemos a tolerância e passa apenas a existir amados (quem concorda connosco) e odiados (quem não concorda). E assim se destrói uma sociedade.

Mudamos pelo que fazemos e a mudança começa em cada um de nós. Não há super-heróis nem existem deuses para nos salvarem. É na capacidade de cada um que começa a mudança e a empatia (o saber colocar-se no lugar do outro). Só assim teremos bom senso para não andarmos por aí a defender o que nem sabemos que estamos realmente a defender.

Porque, se se tivéssemos essa profundidade madura, não teríamos tantos excessos e radicalismos.