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A mobilidade humana no mercado laboral global

Com a globalização e outros fenómenos de natureza vária, temos vindo a assistir ao aumento generalizado da movimentação de pessoas, tanto a nível nacional como internacional.

No que diz respeito ao primeiro aspeto, verificamos a continuidade da concentração urbana em detrimento das zonas do interior, sobretudo do meio rural tradicional, intensificando-se, assim, as assimetrias regionais e aumentando-se os problemas de governança local, regional e nacional. Entretanto, podemos verificar que, de há uns tempos a esta parte, Portugal tornou-se numa plataforma de rotação de gentes e de trabalho, abrangendo uma vasta teia de relações à escala mundial, passando também a ser um país de imigrantes que já representam uma percentagem algo significativa do total da sua população.

Ao nível internacional, constatamos também o crescente aumento da deslocação de pessoas pelos mais variados motivos, desde os turísticos e socioculturais, aos políticos, económicos, religiosos, étnicos e naturais, não esquecendo os conflitos regionais, as ambições pessoais e, também, os sonhos individuais.

Já dizia o nosso poeta Sebastião da Gama “pelo sonho é que vamos” e, nesse sentido, há gente de diferentes diásporas que continua a sair dos seus países de origem para darem entrada em Portugal, desde a década de 90 do século passado, na senda dos seus sonhos em busca de uma vida melhor.

A noção quanto àquela gente é a de que as suas motivações envolvem-se numa ligação entre o sonho e a coragem, tendo em conta, por um lado, a sua procura de mais segurança, de melhoria económica e de boas condições climáticas e, por outro, a sua coragem na implementação dessa mesma procura, com o objetivo de poder vir a concretizar os seus sonhos.

As motivações têm sempre a ver com a sua história de vida, realidade atual do seu modus vivendi e das suas ambições pessoais e relações pessoais e interpessoais/familiares.

Os sonhos, coragem e motivações constituem-se, assim, em componentes de um caminho a percorrer que, dados os riscos nele envolventes, carecem de um estudo sério a ser feito previamente, por forma a evitar males ainda maiores.

Os desafios, com ganhos e perdas de batalhas, bem como, as ultrapassagens de episódios difíceis de vida, são cicatrizes de muitos imigrantes e seus familiares que tenho vindo a acompanhar, quer por via de consultas presenciais, quer por via online, de forma crescente, ao longo dos últimos 18 anos, mas principalmente nos últimos 5 anos.

Com efeito, tendo por base a minha prática profissional no terreno e experiência nacional e internacional, a realidade mostra-nos que ninguém deverá ir para um país diferente do seu, sem antes saber para onde vai, como vai, porque vai e ao que vai.

Antecipar cenários, conhecer a dimensão territorial e a comunidade para onde pretende ir, são formas de preparar o caminho para o destino que se pretende alcançar, não esquecendo o meio ambiente, as pessoas e o grau cultural do país de inserção. Trata-se de um comportamento essencial e preditor de uma melhor adaptação. Paralelamente, deverá procurar o apoio de entidades relacionadas com os fluxos migratórios reconhecidas internacionalmente, através das redes de networking comunitário e, também, de alguém que já esteja no país recetor e seja conhecedor da proteção constitucional que dê a garantia de todos os direitos de cidadania (humanos, sociais e económicos) reconhecidos aos estrangeiros legais.

O sucesso profissional será tanto maior quanto melhor for a integração social do imigrante nas novas comunidades e, portanto, nas empresas onde poderá trabalhar. Assim sendo, para além das caraterísticas e ambições pessoais, deverá fazer um estudo prévio sobre si próprio quanto ao que tem para dar a quem lhe vier a dar trabalho.

Por isso e para tanto, quem sai do seu país de origem e vai para um país estrangeiro tem que pensar, em termos profissionais, nas suas capacidades de trabalho e enquadrá-las com as oportunidades nele existentes, afastando, assim, o tradicional pensamento de “quem será que me dará trabalho” ou ir à procura de trabalho sem qualquer sentido de visão estratégica. Há que se estudar previamente a correlação de forças entre a oferta e a procura no mercado de trabalho no país onde se pretende integrar.

A feitura de um bom currículo também é importante na procura de trabalho e, por isso, deverá conter, para além da formação académica, a formação e experiência profissional, e ainda, outras referências alusivas às capacidades e competências para o desempenho das atividades desenvolvidas e a desenvolver. Também será conveniente evidenciar o objetivo de emprego e os motivos de trabalhar no país de acolhimento, com a necessária adaptação às empresas a que se poderá candidatar.

Face à oportunidade, o imigrante deverá mostrar o seu total interesse na empresa que lhe potencia trabalho, com tanta ou maior disponibilidade que os nativos desse país e, nesse sentido, impõe-se que, previamente, dela tenha conhecimento e da sua história, a que deve juntar uma postura proactiva e mentalidade aberta, como vantagens competitivas no mercado laboral local.

Resumindo: na perspetiva de se trabalhar numa empresa de um país diferente, há que se ponderar nos aspetos que adiante passamos a enumerar:

1. Saber das condições de vida e de trabalho no país de acolhimento;
2. Ter conhecimentos linguísticos;
3. Conhecer as profissões regulamentadas;
4. Saber do acesso aos cuidados de saúde e à segurança social;
5. Conhecer os direitos e obrigações fiscais;
6. Saber das formalidades legais e administrativas;
7. Tomar nota de contactos úteis.

Informe-se para melhor acreditar e concretizar.

Ivandro Soares Monteiro.
Psicólogo Clínico, Psicoterapeuta & Psychological Coach
(www.ivandrosoaresmonteiro.com)
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