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50 anos de “Fados 67” de Amália Rodrigues celebrados com triplo CD

Um triplo CD de Amália Rodrigues, reunindo gravações feitas pela fadista entre 1966 e 1968, é editado esta sexta-feira, no âmbito do cinquentenário do álbum “Fados 67”, e apresenta “o melhor de sempre” da intérprete.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da edição discográfica, Frederico Santiago, afirmou que este triplo CD revela “um auge de modernidade que aconteceu no fado e que continua por repetir”, pois a fadista tinha então “uma capacidade genial de colorir as palavras, sem sacrificar nada do ponto de vista musical”.

O triplo CD “é de uma riqueza impressionante, reunindo mais de 60 fados e canções, entre os quais quase um CD inteiro com música de Alain Oulman (1928-1990)”, sendo a fadista acompanhada pelo Conjunto de Guitarras de Raul Nery.

“É de ficar boquiaberto com a quantidade e a qualidade do que ela gravou nesta altura, sob todos os pontos de vista”, sublinhou.

A edição em CD inclui também inéditos, como “As Lavadeiras de Caneças” (Luís Galhardo/Xavier de magalhães/Frederico de Freitas), e nove versões inéditas, nomeadamente da canção “Vai de Roda Agora”, de Alberto Janes, “uma versão de cair para o lado” de “Libertação” (David Mourão-Ferreira/Fado Meia-Noite, de Filipe Pinto), de “Aïe Mourir pour Toi” (Charles Aznavour), e ainda uma versão de “Naufrágio” (Cecília Meireles/Alain Oulman), entre outras.

O triplo CD soma 79 faixas e tem mais duas, extra, com excertos de “Gaivota” (Alexandre O’Neil/Alain Oulman) e do “Fado Acácio” (Acácio Gomes).

Em 1967, foi publicado o LP “Fados 67”, o primeiro em estéreo editado por Amália e o primeiro em que é acompanhada por mais do que uma guitarra e uma viola.

No âmbito do 50.º aniversário desta edição, é publicado este triplo CD que inclui “um assinalável conjunto de fados tradicionais, na fase em que a fadista mais gravou fado puro e duro”.

“Na realidade, este álbum, ‘Fados 67’, fez parte dessas sessões de gravação de Amália Rodrigues, entre 1966 e 1968, que correspondem ao apogeu da sua voz e da suas capacidades artísticas”, disse à agência Lusa Frederico Santiago, que, desde 2014, com o CD “Amália no Chiado”, está a organizar o catálogo discográfico integral da criadora de “Gaivota”.

Referindo-se a estas sessões de gravação, Frederico Santiago afirmou que “a Amália, então entre os 46 e os 48 anos, estava no auge absoluto da voz, já tinha uma carreira de recital enorme atrás dela, o que lhe dava um perfeito controlo artístico e vocal em géneros muito diferentes”.

“Em termos de qualidade e quantidade foi o período em que a Amália gravou o melhor”, sublinhou. “Acho mesmo que é o melhor disco de Amália. E dizer isto nela é qualquer coisa, pois fez tantos e tão bons”.

“Estas foram as sessões mais modernas que alguma vez existiram no fado, porque Amália tinha nesta altura um total domínio técnico sobre a voz, com um domínio completo da igualdade vocal, da afinação, das dinâmicas, do colorir as palavras, chegando a fazer uma verdadeira dramaturgia em cada fado ou canção em que agarrava. E depois fazendo tudo isso com uma voz daquelas que só acontecem por milagre”, disse.

O triplo CD, editado pela Valentim de Carvalho, é acompanhado por um texto de Frederico Santiago sobre Amália, o fado tradicional e o Conjunto de Guitarras de Raul Nery, e outro do pianista Nuno Vieira de Almeida, que foi amigo da fadista, sobre a sua condição de grande intérprete.